Jovens brasileiros enfrentam mais internações por transtornos mentais e buscam menos ajuda, aponta Fiocruz
Por João Veríssimo – Central do Ser
Data: 9 de dezembro de 2025
Estudo revela aumento expressivo de internações, especialmente entre homens, e baixa adesão a cuidados contínuos. Especialistas alertam para urgência de políticas preventivas e acesso ampliado à saúde mental.
A população jovem brasileira — especialmente entre 15 e 29 anos — vive um cenário crítico de saúde mental. Dados divulgados pela Fiocruz mostram que esse grupo apresenta as maiores taxas de internação por transtornos mentais e, paradoxalmente, é também o que menos busca ajuda especializada após a alta hospitalar.
Segundo o levantamento, os homens jovens concentram 61,3% das internações por causas psiquiátricas nessa faixa etária, alcançando 708,4 internações por 100 mil habitantes, índice cerca de 57% superior ao registrado entre mulheres. O uso abusivo de substâncias psicoativas aparece como principal causa: em 38,4% dos casos, há envolvimento com múltiplas drogas.
Entre as mulheres jovens, a depressão surge como motivo mais frequente de internação, reforçando diferenças de vulnerabilidade emocional entre gêneros.
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Jovens buscam menos ajuda após a crise
Mesmo diante da gravidade dos quadros, o estudo aponta que menos da metade dos jovens mantém acompanhamento psicológico ou psiquiátrico após a alta hospitalar. Essa baixa adesão ao cuidado contínuo aumenta o risco de reincidências, agravamento do quadro e, em muitos casos, situações de risco de vida.
Pesquisadores alertam que fatores como estigma, dificuldade de acesso, desinformação e desconfiança dos serviços de saúde contribuem para que jovens procurem ajuda tardiamente — geralmente apenas em momentos de crise aguda.
Especialistas apontam causas sociais e emocionais
O estudo também destaca que a juventude enfrenta pressões intensas ligadas a:
- desempenho acadêmico e profissional;
- instabilidade econômica;
- dificuldade de inserção no mercado de trabalho;
- impacto das redes sociais sobre autoestima e identidade;
- aumento do consumo de substâncias como forma de regulação emocional.
Esses fatores criam um terreno fértil para o sofrimento psíquico, que muitas vezes não é identificado nem acolhido a tempo.
Populações jovens indígenas e grupos socialmente vulneráveis aparecem entre os mais afetados, segundo recortes adicionais do levantamento.
Caminhos possíveis para reduzir o impacto
Especialistas em saúde mental defendem ações urgentes para enfrentar o cenário, como:
- fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS);
- ampliação do número de psicólogos em escolas, universidades e serviços comunitários;
- campanhas públicas de desestigmatização da depressão, ansiedade e uso de substâncias;
- acompanhamento sistemático após internações psiquiátricas;
- criação de políticas nacionais de prevenção ao suicídio voltadas especificamente para jovens.
A Fiocruz destaca que o enfrentamento do problema depende de medidas combinadas entre educação, saúde, assistência social e políticas públicas.
Central do Ser reforça importância de acolhimento e prevenção
Como plataforma dedicada à saúde emocional, a Central do Ser reforça que o aumento das internações mostra não apenas a ampliação do sofrimento psíquico entre jovens, mas também a necessidade de acesso rápido, humanizado e contínuo ao cuidado.
Incentivar a procura por ajuda antes de crises graves, oferecer orientação de qualidade e criar espaços seguros de escuta são medidas essenciais para reduzir riscos e promover bem-estar.
A equipe da Central do Ser acredita que a informação qualificada é parte fundamental da prevenção e continuará acompanhando dados e estudos nacionais para ampliar a conscientização sobre saúde mental e fortalecer redes de apoio.
Sobre a Central do Ser
A Central do Ser é uma plataforma dedicada à saúde mental que reúne conteúdo de qualidade, análises acessíveis e orientações baseadas em psicologia. Nosso compromisso é informar, acolher e apoiar quem busca autoconhecimento, equilíbrio emocional e relacionamentos mais saudáveis.
Em sua essência, a Central do Ser é também uma ponte: aproximamos pessoas que precisam de cuidado psicológico dos melhores profissionais de saúde mental. Acreditamos que informação confiável, suporte qualificado e acesso facilitado transformam vidas e trabalhamos para que cada pessoa encontre o caminho certo para o próprio bem-estar.
Fontes consultadas:
Fiocruz – https://portal.fiocruz.br/
Fiocruz – Publicações sobre saúde mental: https://portal.fiocruz.br/busca?search_api_fulltext=saude%20mental
Agência Brasil – https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2025-12/fiocruz-populacao-jovem-apresenta-o-maior-risco-de-suicidio
Ministério da Saúde – RAPS: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-mental/raps
OPAS – Saúde Mental no Brasil: https://www.paho.org/pt/topicos/saude-mental
OMS – Mental Health: https://www.who.int/health-topics/mental-health
