Sobrecarga emocional e mental atinge mulheres e afeta saúde, aponta levantamento
Por João Veríssimo – Central do Ser
Data: 9 de dezembro de 2025
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Sobrecarga emocional, desigualdade nas tarefas e estresse contínuo aumentam o risco de burnout, ansiedade e esgotamento entre mulheres brasileiras.
O estudo da Think Olga revela que muitas mulheres brasileiras carregam uma sobrecarga emocional intensa, resultado da acumulação de tarefas domésticas, dupla ou tripla jornada e da desigualdade na divisão do trabalho, situação que tem elevado drasticamente os níveis de estresse, ansiedade e exaustão. Esse contexto, frequentemente naturalizado, acarreta irritabilidade, insônia, cansaço profundo e riscos de burnout. Especialistas alertam que o desgaste prolongado pode evoluir para quadros mais graves, como depressão e transtornos do sono. A Central do Ser entende que é urgente ampliar o debate, promover acolhimento e apoio psicológico, e incentivar a reorganização das responsabilidades como forma de resgatar equilíbrio emocional e qualidade de vida.
A sobrecarga emocional enfrentada por mulheres em diferentes fases da vida tem provocado impactos crescentes na saúde física e mental. Um levantamento divulgado pelo Think Olga mostra que grande parte das brasileiras acumula múltiplas demandas trabalho, cuidados domésticos, educação dos filhos e suporte emocional da família o que contribui para níveis elevados de estresse e sintomas emocionais persistentes.
Segundo o levantamento, muitas mulheres chegam ao limite sem perceber, porque a sobrecarga se tornou parte de uma rotina normalizada socialmente. Essa naturalização, porém, causa danos: irritabilidade, cansaço extremo, insônia, ansiedade, dores corporais e sensação de esgotamento têm sido cada vez mais relatados.
Mulheres assumem múltiplos papéis e pagam o preço emocional
O levantamento aponta que a maioria das mulheres exerce dupla ou tripla jornada, conciliando funções profissionais com cuidados domésticos e apoio emocional da família. Especialistas consultados destacam que esse acúmulo pode gerar:
- aumento da ansiedade e dificuldade de relaxamento;
- sobrecarga cognitiva — sensação de “mente cheia” o tempo inteiro;
- queda na autoestima e sensação de incompetência;
- irritabilidade constante e dificuldade de concentração;
- problemas físicos relacionados ao estresse crônico.
Além disso, muitas mulheres se veem responsáveis por “manter tudo funcionando”, inclusive administrando tensões familiares, o que amplia o desgaste psicológico.
Estresse prolongado pode desencadear adoecimento
O relatório citado pelo Think Olga reforça que situações contínuas de sobrecarga emocional podem evoluir para quadros clínicos mais graves, como:
- transtorno de ansiedade generalizada;
- burnout;
- depressão;
- tensão pré-menstrual agravada;
- distúrbios do sono;
- dores musculares e cefaleia tensional.
A ausência de pausas, a dificuldade de pedir ajuda e a crença de que é preciso “dar conta de tudo” contribuem para a piora. Especialistas alertam que, quando o sofrimento se torna constante, é essencial procurar apoio psicológico.
Dados da pesquisa “Esgotadas” revelam a sobrecarga emocional das mulheres
O infográfico da pesquisa Esgotadas, desenvolvido pela Think Olga, sintetiza de forma clara o cenário alarmante da saúde mental das mulheres no Brasil. Os dados revelam que 45% das entrevistadas possuem diagnóstico de transtorno mental e que ansiedade e depressão seguem entre os diagnósticos mais frequentes.
O material também destaca como a pandemia agravou o quadro emocional, ampliando os casos de estresse, esgotamento, irritabilidade e baixa autoestima. Além disso, identifica as principais causas relatadas pelas mulheres, como sobrecarga, dificuldades financeiras e insatisfação profissional, reforçando o impacto estrutural da desigualdade de gênero sobre a saúde emocional feminina.

A raiz do problema: desigualdade e expectativas sociais
O levantamento destaca que fatores culturais profundos sustentam essa sobrecarga. Entre eles:
- desigualdade na divisão das tarefas domésticas;
- expectativas sociais de que mulheres sejam cuidadoras por natureza;
- pressão estética e emocional;
- exigência de desempenho perfeito em múltiplos papéis;
- resistência à busca de ajuda por medo de julgamento.
Essa combinação faz com que muitas mulheres vivam em estado de alerta permanente, o que sobrecarrega o sistema nervoso e dificulta a recuperação emocional.
Caminhos possíveis para redução do sofrimento
Psicólogos ressaltam a importância de:
- redistribuir tarefas dentro da casa;
- criar rotinas de autocuidado realistas;
- aprender a colocar limites;
- dividir responsabilidades com parceiros e familiares;
- buscar apoio psicológico para reorganizar expectativas e fortalecer autoestima;
- reconhecer que pedir ajuda é um ato de autocuidado, não de fraqueza.
Profissionais também reforçam a necessidade de políticas públicas que apoiem famílias, ampliem acesso ao cuidado psicológico e promovam igualdade na divisão do trabalho doméstico.
O olhar da Central do Ser
A Central do Ser reconhece que a sobrecarga emocional feminina é um fenômeno social que exige acolhimento, informação e suporte. A plataforma reforça a importância de espaços seguros de escuta e orientação, além de conteúdos que ajudem mulheres a compreender seu sofrimento e buscar caminhos para equilibrar saúde emocional e qualidade de vida.
Fonte consultada
ABCdoABC – “Sobrecarga em mulheres”
https://abcdoabc.com.br/sobrecarga-em-mulheres/
Think Olga – Esgotadas
https://lab.thinkolga.com/esgotadas/
